Covardias do Cotidiano
Nunca gostei dos pacifistas, eles sempre me passaram uma imagem de fragilidade e covardia. Aceitar as dificuldades sem reclamar é algo que me nego a fazer. Digo, farei sempre algo para mudar uma situação desconfortável, mas nunca sem mandar o universo e seu efeito borboleta se foder.
Você não ficou puto ainda? E se a pessoa que você ama morrer? E se vier um câncer em seu pulmão mesmo sem botar um único cigarro na boca? E se você escorregar, bater a cabeça e ficar preso em uma cama pelo resto de seus dias?
"Não diga palavrões, pequeno Walter."
Ora, porra, as pessoas mais confiáveis que conheci nunca deixavam de enfatizar suas frases com um belo e bem posicionado baixo calão. Mas você precisa ser uma boa pessoa, afinal. Precisa? Para quem? Por quem? Por qual motivação? O que é uma boa pessoa?
Separei meu lixo - papéis, plástico, comidas e vidro - e a desgraçada da empresa de reciclagem tacou tudo no mesmo lugar. O amor, a alegria, a angústia e todas as maravilhosas fantasias temporárias que meu córtex cerebral pôde experimentar. Deus é a empresa coletora das frustrações e o mundo insiste em dizer que eu não deveria mandar um singelo "foda-se" para o politicamente correto.
Catei um pedaço de madeira e saí quebrando os vidros dos carros parados. Os donos ficarão putos, mas a verdade é que eles precisam desse tipo de problema para viver em paz. A desordem mantém a mente do homem comum trabalhando, sendo que ao resolver essas merdas, ele é tomado por um sentimento de conforto e felicidade. Posso até visualizar essas pestes indo até o mercado comprar uma cerveja para comemorar "mais uma batalha do cotidiano vencida". A pessoa pagará para arrumar algo que causei sem motivo algum e ainda se sentirá bem por isso.
O cotidiano é uma merda. A rotina é tosca, imoral e irracional. A única coisa que impede a natureza de triunfar é a existência desses humanos medíocres e inúteis.
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