Questionamentos da Madrugada
Troféu ingrato da pirambeira:
Olhar distante da calmaria;
Tranco, sem medo das consequências;
— Caramba, moço, como isso foi acontecer?
Olhar medíocre e estupefato com o dedo no gatilho;
Justoreba.
Lenga-lenga mundana, sabedoria reprimida.
Blam, blam, blam!
Ruiu o castelo de areia.
Marketing intragável;
Interesses animalescos;
Capacidade adaptativa invejável.
Bato na calça jeans surrada com a palma da mão trêmula;
Sorvo um gole de saliva inexistente;
Movimento involuntário da boca, empurrando os lábios para frente e para trás em milésimos de segundo;
— Você quer um café?
— Aceito um golinho...
Paladar gripal;
Mundo em preto e branco;
Lembro de uma vida inteira baseada em princípios que não se adequam;
De todos os dons, talvez uma memória de elefante seja o pior deles. É insalubre.
O cheiro da patifaria mundana, a cor amarelada dos dentes que ainda não foram pastilhados na cor de mentos.
O grito da madrugada, ainda que silencioso.
A promessa vazia, o poder de ruir mundos, mas sem fazê-lo.
Não, eu não poderia. É contra o que eu acredito.
Mal posso suportar um momento de lucidez, quem dirá viver escravizado por ações instintivas.
Não, eu não poderia.
De todo o espaço-tempo, o tic-tac caótico me agracia com uma visão escamoteável.
Existem aqueles que se adaptam em 2 meses;
Existem os que remoem coisas por 20 anos;
Existem aqueles com poder de destruir, e aqueles com o poder de curar;
— Moço, você está sangrando na perna.
— Puts, sim... Logo hoje, que deixei de responder meus e-mails...
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