Refém
Chora feito criança ao ver aquilo que era posse, tornando-se distância. Do ar superior ao desespero desenfreado, da calmaria ao delírio nos verbetes. Não controla nem seus próprios impulsos ao ver o que antes lhe era certo, agora transformado em saudade. Passa abruptamente do desprezo ao valor, em dias que a solidão lhe bate à porta. Um turbilhão de lembranças pulsantes em seu coração, agora desocupado.
A consciência era a senhora de todas as razões no momento da mágoa. Quem lhe vê matutando por aí, não imagina sua consciência gritando por socorro nas portas da lamentação. Absorto, precisava demonstrar superioridade. Foi até a rede social, onde encontrou apoio de seus amigos-pirita. Colecionou curtidas em suas frases piegas e indiretas covardes, criou uma bolha protetora com o resto de seu ego e convenceu-se diante do espelho. Tomou uma ducha, penteou o cabelo e enxugou as lágrimas, pondo-se a vagar nas noites regadas a whisky e cerveja amarga, procurando assim sua felicidade entre as filas.
Esses tempos atrás passei frente a um local de trocas... que lance, bicho! Todos aqueles usuários prontos para sua nova aquisição! A oferta era praticamente igual à anterior, mas o instinto de descoberta servia de propulsor para milhares de pessoas. Pega-se um, dois, três e quantos mais forem possíveis entre as mãos, embora as funções pareçam tão iguais...
Aliás, para aquele que está a escolher, a prática do manuseio parece ser tão idiota quanto aos olhos de quem o vê pelo lado de fora, mas é tarde demais para sair daquele lugar. Passando por todas as cores e tamanhos, decide-se barganhar a compra, pouco a pouco.
De um outro lado, os da prateleira precisam convencer - mostrar que não haverá decepção e que tal lenga-lenga é lídimo. Alguns conseguem e são levados para casa. "Felicidade social".
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