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Operário da Própria Ausência

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Vup, Vup, Vup

Tempo em espiral;

Estalos secos no silêncio da mente;

Certificações impressas em papel que não aquece;

Aprovações sem festa;

Dúvidas com voz de comando;

Conquistas que evaporam antes do brinde;

Tempo —

Relógio zombando com um tique histérico;

Emaranhado de códigos, leis, doutrinas;

Sons aleatórios com gosto de distração;

Já mencionei o tempo?

Ele se repete como dívida.

Resistência física, quase um esporte de sobrevivência emocional;

Já fui poeta — Matei o lirismo com um carnê de pagamento em mãos trêmulas;

Já fui amante — Sabotei o roteiro quando descobri que amar não cabe na planilha;

Já fui inteiro — Mas a lógica dos dias me ensinou a arte da fragmentação.

Unboxing vagabundo de dopaminas vencidas;

Grip firme, olhos secos,

Pistola como metáfora ou literalidade — tanto faz, desde que funcione;

Luzes piscam: made in China, powered by silêncio cúmplice;

Barba ruiva querendo render-se ao branco — como se o tempo pedisse passagem, sem educação.

Alguém pare este latino americano,

Ele virou máquina de não aparecer,

Camaleão do invisível,

Operário da própria ausência.

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