Tapioca com Ibuprofeno
Existe um perfil muito peculiar de pessoa que eu chamo de "Tapioca com ibuprofeno". Sabe aquela pessoa que gosta de Legião Urbana, Caetano Veloso e Beatles? Mas não apenas gosta, ela precisa mostrar o quão isso é incrível.
O pacote sempre acompanha as mesmas coisas: MPB, sambinha bom, livros motivacionais, defesa dos animais, anticorrupção e frases de efeito. Nas redes sociais é bacana postar uma música de Chopin, ser contra o BBB e não assistir televisão. É o mesmo tipo de gente que diz gostar de "rock das antigas" por ser "música boa", mesmo não falando o idioma em que a letra está sendo cantada e o quão tosca a tradução é (é sério, alguns hinos do rock chegam a ser idiotas).
Não é o fato de gostar de certas coisas que faz dessas pessoas um pé no saco, mas o fato de elas realmente acreditarem que são mais relevantes no mundo do que todo o resto. O terraplanismo, por exemplo, não surgiu porque as pessoas são idiotas, mas sim porque a massa considerada intelectual está perdida em seu próprio ego e a única coisa que conseguem fazer é pensar que quem considera a possibilidade de a Terra ter o formato de uma pizza não merece uma explicação. Isso causa teorias conspiratórias e toda a merda que aí está.
O humano tapioca não filosofa, não muda sua rotina, não lê, não ouve, não é aberto. Não fala sobre sua insignificância no universo e quer estar sempre certo. Sem gosto, sem nada para morrer.
// END OF LOG — LOG-0x0A · INTEGRITY 100% · SIGNED 0xWS