Uma Cachaça e Um Remedinho
É olhar para sua mão e perceber que ela ainda se move sem tremores.
É reconhecer que você ainda consegue usar sua câmera orgânica de alta resolução para gravar memórias na mente.
É sentir a Terra sob seus pés, mexer os dedos dentro do calçado.
É apreciar o cheiro de um incenso ou da comida recém-preparada.
É aceitar sua insignificância e, ainda assim, ser genuinamente feliz com ela.
É ter leveza para lidar com os problemas, sabendo que eles passam.
É compreender que a felicidade também é passageira.
É aceitar a finitude da vida como o que lhe dá real valor.
É valorizar os momentos, sabendo que são únicos e irrepetíveis.
É estar em um lugar e ter a consciência de que aquele instante jamais será o mesmo.
É lembrar que, muitas vezes, você influencia vidas sem sequer perceber.
É estar em casa, sentindo-se pequeno, e ainda assim ter sido gigante na vida de alguém.
É aceitar que ninguém é bom o tempo todo.
É reconhecer que também fazemos o mal, mesmo sem querer.
É lembrar que não existe um “certo” ou “errado” absoluto.
É entender que, fora os padrões morais de convivência, tudo é construção.
Cortando o vento. Sorrindo. Sem fazer ideia de para onde vou, mas feliz por estar em movimento.
De todas as possibilidades que o caos poderia ter oferecido, as coisas são o que são. Citei uma vez em um de meus textos que imagino Deus como uma balzaquiana de unhas compridas. Hoje, certamente ela me ofereceria um cigarro.
É o que é. E que bom que é assim.
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